Nutricionista graduada pela Universidade Anhembi Morumbi e Especialista em Nutrição Clínica pelo Centro Universitário São Camilo.
Atendo em consultório particular e ambulatório da UNIFESP.
Para consultas e consultoria: danimrs@terra.com.br
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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Índice glicêmico vs Carga glicêmica

Foi em 1981 quando publicaram o primeiro estudo que avaliou o índice glicêmico (IG). Como isso foi feito? Os autores ofereceram alimentos em porções que continham 50g de carboidratos e durante duas horas amostras de sangue eram colhidas, a cada 15 minutos, durante a primeira hora e depois a cada 30 minutos na segunda hora. A resposta ao alimento era observada pelas concentrações de glicose no sangue (glicemia) e estas eram comparadas à resposta de um alimento de referência (50g de glicose pura ou a quantidade de pão branco que contenha 50g de carboidratos).

Ou seja, o índice glicêmico (IG) é um indicador de qualidade do carboidrato quanto à sua habilidade em aumentar e/ou influenciar a concentração de açúcar no sangue (glicemia). Quanto maior o índice glicêmico maior o aumento da glicemia e vise-versa. Por fim, foi definido que o alimento considerado como de baixo índice glicêmico seria aquele que apresentasse o índice glicêmico menor ou igual a 55, o de médio índice entre 56 e 69 e o alimento com alto índice glicêmico o que apresentasse o índice maior ou igual a 70.


Em 1997, a Food and Agriculture Organization (FAO) revisou as evidências disponíveis, a respeito da importância dos carboidratos para saúde e nutrição, e concluiu que a utilização do índice glicêmico, para classificar a qualidade dos carboidratos e a recomendação da utilização do mesmo, associado as tradicionais recomendações nutricionais, era adequada, bem como, que para a promoção da saúde, dever-se-ia consumir uma dieta rica em carboidratos, com baixo índice glicêmico.

Alguns anos mais tarde, observou-se que, tanto a qualidade do carboidrato quanto a quantidade ingerida, deveriam exercer influência sobre a concentração de açúcar no sangue. Principalmente, porque para alguns alimentos, dificilmente o tamanho da porção que vamos consumir vai ter um equivalente a 50g de carboidratos (e as porções estudadas para avaliar o índice glicêmico continham todas o equivalente a 50g de carboidratos como mencionei lá no começo). Por esse motivo pesquisadores da Universidade de Harvard criaram um conceito aperfeiçoado do índice glicêmico (IG), o conceito de carga glicêmica (CG). Conceito simples que nada mais é que o resultado do produto (produto = multiplicação, lembram?) da quantidade de carboidrato, disponível em uma porção padrão de um alimento, pelo seu índice glicêmico dividido por 100. 
CG = (IG x g de carboidratos por porção) / 100 

Um grande exemplo que posso dar, é o caso da melancia. A melancia tem um índice glicêmico que varia de 72 a 80, ou seja alto, devendo ser listada no grupo de alimentos a se evitar... POREM, dificilmente alguém vai consumir uma porção de melancia que contenha 50g de carboidratos, isso seria o equivalente a aproximadamente 666g de melancia. Então em muitos casos o cálculo da carga glicêmica faz-se necessário.
EXEMPLO:
Porção padrão, não exagerada, de melancia (100g), tem 7,5g de carboidratos
(IG x g carboidratos por porção do alimento) / 100 = CG
(72 x 7,5) / 100 = 5,4
Conclusão: Apesar de ter um Indice GlicIemico alto, uma porção padrão de melancia tem baixa carga glicêmica, saindo então da lista dos vilões.
Também usando como padrão de referência a glicose, a porção do alimento é considerada com alta carga glicêmica quando o valor é menor ou igual a 10, média carga glicêmica quando o valor está entre 11 e 19 e alta carga glicêmica quando o valor é maior ou igual a 20. 


Eu sei, o índice glicêmico é um índice baseado apenas em um calculo matemático... SIM! Mas para verificar se o calculo seria algo confiável, um grupo de estudiosos, realizaram um estudo com o intuito confirmar a existência de relação direta entre a carga glicêmica e uma resposta fisiológica. Para isso, verificaram se porções, de diferentes alimentos, com a mesma carga glicêmica produziam respostas semelhantes na concentração de glicose no sangue e, também, se o aumento gradativo da carga glicêmica produzia aumentos proporcionais da glicemia (quantidade de açúcar no sangue) e insulinemia (quantidade de insulina no sangue). Foi possível observar que, porções de diferentes alimentos com carga glicêmica iguais, produziam semelhante aumento da glicemia. Observou-se, ainda, que o aumento gradativo da carga glicêmica resultava no aumento previsível da glicemia e insulinemia, comprovando assim a segurança do uso da carga glicêmica para avaliar a qualidade dos carboidratos.

Por que isso é importante? Um aumento da glicose no sangue estimula a secreção de insulina, um hormônio produzido por nosso organismo para manter a concentração de glicose no sangue dentro da faixa de normalidade (entre 70 e 99mg / 100 ml de sangue). Quando ocorre um grande aumento da concentração de glicose no sangue a secreção excessiva de insulina promoverá um aumento da captação da glicose, ou seja, diminuição da concentração de glicose no sangue. Nosso organismo responde a esta queda liberando glucagon (hormônio cuja função é “fornecer” glicose para o sangue, para evitar a hipoglicemia). O problema é que quando a queda é muito rápida não da tempo para que o glucagon cumpra sua “missão” de elevar o nível de glicose ao nível normal, levando, portanto, a uma hipoglicemia reativa (quando a concentração de glicose no sangue cai abaixo da faixa de normalidade). A hipoglicemia reativa é caracterizada por: sono, FOME, letargia, falta de energia e menor atividade mental. Ou seja, queremos evitar a hipoglicemia reativa. Além disso, a insulina é um hormônio construtor, constroi gordura, nada favoravel para quem busca o emagrecimento. E por fim, muitos estudos tem demonstrado que o consumo de alimentos com alta carga glicêmica pode aumentar o risco de desenvolver doenças como diabetes e doenças cardiovasculares.

Se tiverem duvidas ou quiserem pesquisar tanto o Indice Glicêmico como a Carga Glicêmica dos alimentos é só conferir aquele site que já indiquei no instagram: www.glycemicindex.com, o site é uma base de dados e pesquisas voltados apenas para o tema Indice Glicêmico! O site é mantido e atualizado pelo Glicemic Index Group, da Universidade de Sydney, Australia! Gosto muito do trabalho desse grupo que já acompanho a mais de 7 anos e é uma das maiores base de dados de Indice Glicêmico dos alimentos que conheço! É tudo em inglês, mas o acesso a tabela para saber o Índice Glicêmico e a Carga Glicêmica dos alimentos é simples e você só precisa saber o nome do alimento que quer pesquisar em inglês, e para isso o google funciona muito bem. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Fome física

No último post vimos que contar calorias não é a unica solução para perda de peso, não é? Bom, presumo que tudo o que o que devemos fazer para aumentar o gasto de calorias tenha ficado bem claro, não? Pelo menos é o que eu espero (caso contrário leia novamente o post passado). Agora o que fazer para ingerir menos calorias? Fecha a boca criatura!!!  Ha ha ha... se fosse simples assim tava todo mundo magrinho, não é? Fechar a boca é fácil, o difícil é mantê-la assim por muito tempo!

Para não estender muito o assunto em um só post e deixar a leitura cansativa, vou dividir esse tema em dois posts, cada um baseado em um dos conceitos abaixo que você precisa entender:

FOME: refere-se a sensação fisiológica que o corpo percebe quando necessita de alimento para manter suas atividades funcionando normalmente.

VONTADE DE COMER: é a sensação psicológica, portanto, não necessariamente relacionada à necessidade fisiológica da ingestão de alimentos, mas ao desejo de satisfação pessoal que esse ato representa, profundo huh?


Quando é que a FOME aparece?

1) Quando cai a concentração de glicose no sangue:
- Que ocorre em um jejum prolongado (quando ficamos muito tempo sem comer).
- E quando ocorre uma ingestão exagerada de carboidratos em uma refeição, principalmente de alta Carga Glicêmica (açúcares e doces; cereais e derivados refinados – arroz branco, pão branco, massas brancas; batata comum), promovendo um grande e rápido aumento da concentração de glicose no sangue e um consequente aumento da secreção de insulina, que leva a uma diminuição brusca da concentração de glicose no sangue – Hipoglicemia Reativa.
Fig. 1 - Concentração de glicose no sangue após o consumo de alimentos com diferentes cargas glicêmicas  (alta, media, baixa). 
2) Quando o estômago está vazio:
O estômago é um importante regulador da ingestão de alimentos. O contato do alimento com a parede do estômago e da porção inicial do intestino estimula a liberação de substâncias que têm efeito sobre a saciedade. Da mesma forma que quando o estômago está vazio, estimula a secreção de substâncias que irão disparar a sensação de fome (o que diminui gradativamente à medida que comemos)... Ou seja, estômago vazio é sinônimo de fome. Isto significa que é preciso comer o dia inteiro? Não! Pois o estômago leva de 1 a 4 horas para esvaziar, dependendo da refeição. Por exemplo, quando consumidos sozinhos, os carboidratos deixam o estômago mais rapidamente, seguido pelas proteínas, gorduras e alimentos ricos em fibras. Em uma refeição completa, o esvaziamento do estômago depende do volume total e das características dos alimentos consumidos. 

"Ótimo! UHUUU! Vamos sair por ai comento um "bifão" frito na banha e bacon que vamos ficar bem satisfeitos!" NÃO! Apesar de saciar mais devemos sempre optar pelo mais saudável! A gordura sacia mais, SIM!, mas é calórica e se for saturada (presente na banha, bacon, carnes, lácteos integrais...) pode também aumentar os níveis de colesterol, então CALMA AI!

3) Quando não obedecemos ao relógio biológico:
O corpo tem uma capacidade de memorização que chega a dar ódio! Podemos dizer assim que é teimoso. Se você esta acostumado sempre a comer em determinado horário e por algum contratempo não vai conseguir manter esse cronograma, não conseguindo comer nesses horários que eram antes habituais, você ira sentir fome!
Por esse e outros motivos, quando sei que vou demorar a voltar para casa, saio de casa com uma "lancheirinha"! Isso mesmo, eu tenho uma lancheira, saio de casa toda dia com uma marmita! Meu relógio biológico deve ser mais preciso que um relógio atômico! E aguentar o meu mau humor quando estou com fome não é fácil, então procuro poupar as pessoas do meu convívio, apesar de algumas não merecerem! Haha!

Então quais são as dicas

  • Estabelecer e respeitar os horários das refeições;
  • Realizar diariamente 5 a 6 refeições, ou seja, realizar lanches intermediários entre as refeições principais, não permanecendo mais que 3-4 horas sem comer;
  • Fazer as refeições em ambientes tranquilos, comendo devagar e mastigando bem os alimentos (as substancias liberadas pelo estômago só começarão a agir promovendo a sensação de saciedade após 20 minutos que você começou a comer);
  • Evitar o consumo de alimentos com carga glicêmica (CG) alta  (Repetindo: açúcares e doces; cereais e derivados refinados – arroz branco, pão branco, massas brancas; batata comum). Prefira os integrais, milho e tubérculos como batata doce e inhame que tem uma menor carga glicêmica.
  • Incluir nas refeições principais:
    • Um alimento fonte de carboidrato de baixa carga glicêmica (cereais/grãos integrais, milho e tubérculos como batata doce e inhame).
    • Um alimento fonte de proteína magra (aves sem pele, peixes, ovos, leite e bebidas lacteas semi-desnatados, queijos magros, leguminosas – feijão, lentilha, grão-de-bico, soja) e um alimento fonte de gordura boa (óleos vegetais e sementes oleaginosas – castanhas, amêndoa, avelã, noz). Proteínas e gorduras tem uma digestão mais lenta, o que além de saciar por mais tempo, acaba retardando a absorção dos carboidratos.
    • Alimentos fonte de vitamina e minerais como verduras e legumes (estes representarão um volume significativo no seu estomago sem contribuir com muitas calorias além da presença das fibras).
  • Nos lanches intermediários:
    • A não ser que esteja com hipoglicemia, evite comer alimentos fonte de carboidratos sozinhos, como a gente pode ver, eles tem uma digestão fácil e são absorvidos rapidamente, deixam o estômago rapidinho. Prefira os integrais, que pela presença da fibra tem uma digestão mais lenta e associe sempre com uma fonte de proteína magra ou de gordura boa.
>>> Se só a fome fosse o problema hein??? Acho que tudo seria UM POUCO mais fácil, não? No próximo post falaremos então do grande vilão da história: vontade de comer!